A vida psíquica dá sentido e coloração afetivo-sexual a todos os
objetos e a todas as pessoas que nos rodeiam e entre os quais vivemos.
As coisas e os outros são investidos por nosso inconsciente com cargas
afetivas de libido. Assim, sem que saibamos por que, desejamos e amamos
certas coisas e pessoas e odiamos e tememos outras.
Por
esse motivo que certas coisas, certos sons, certas cores, certos
animais, certas situações nos enchem de pavor, enquanto outras nos
trazem bem-estar, sem que saibamos o motivo. A origem das simpatias e
antipatias, amores e ódios, medos e prazeres desde a nossa mais tenra
infância, em geral nos primeiros meses e anos de nossa vida, quando se
formaram as relações afetivas fundamentais e o complexo de Édipo.
Dimensão
imaginária de nossa vida psíquica - substituições, sonhos, lapsos, atos
falhos, prazer e desprazer, medo ou bem-estar com objetos e pessoas -
indica que os recursos inconscientes surgem na consciência em dois
níveis: o nível do conteúdo manifesto (escada, mar e incêndio, no sonho;
a palavra esquecida e a pronunciada, no lapso; o pé torcido ou objeto
partido, no ato falho) e o nível do conteúdo latente, que é o conteúdo
inconsciente verdadeiro e oculto (os desejos sexuais). Nossa vida normal
se passa no plano de conteúdos manifestos e, portanto, no imaginário.
Somente uma análise psíquica e psicológica desses conteúdos, por meio de
técnicas especiais (trazidas pela psicanálise), nos permite decifrar o
conteúdo latente que se dissimula sob o conteúdo manifesto.

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